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Data: 14/02/2012
Título: Qualidade Garantida - Medidas padronizadas pela ABNT agora ganham selo de qualidade da Abravest.
Qualidade Garantida
Medidas padronizadas pela ABNT agora ganham selo de qualidade da Abravest, o que pode aumentar as vendas.
(Por Laura Navajas)

Uma coisa que todo confeccionista sempre tem que ter em mente é que as roupas não são feitas para as lojas ou marcas, mas para o consumidor final.
É ele quem determina o que sai mais ou menos. Assim, estar atento às suas necessidades também é uma obrigação.
A divergência das medidas das roupas de uma confecção para outra incomodam muito. Por isso, chegam a impedir as empresas de aumentarem suas vendas e até mesmo acelerem seus processos produtivos.
A Associação Brasileira do Vestuário, Abravest, sempre batalhou para que esse transtorno fosse extinto. Há dois anos, conseguiu que a Associação Brasileira de Norma Técnicas, ABNT determinasse a NBR 15800:2009, que regulamenta medidas de roupas para bebês e infanto-juvenis, e a NBR 15778:2009 para medidas dos uniformes escolares. O próximo passo, já em consulta pública, entrando em vigor no começo do ano que vem, é a moda masculina. Depois, padronizar a moda feminina (o projeto também está previsto para o final deste ano).
Para reforçar o efeito da adesão à norma, que é voluntária, agora a Abravest lançou um selo de qualidade, que atestará aos consumidores que aquelas peças são feitas dentro do padrão das normas da ABNT. “O primeiro objetivo é facilitar a vida do consumidor. O segundo é cuidar do próprio setor. Se a gente não se autorregulamentar, como poderemos cobrar que os produtos importados tenham qualidade?”, questiona Roberto Chadad, presidente da Abravest.
A engenheira Maria Adelina Pereira, superintendente da CB 17, comitê especial para a área têxtil dentro da ABNT, concorda e vai mais longe: “A norma é produzida pela sociedade e para a sociedade”.

Certificação

Pela norma, baseada nas medidas médias dos brasileiros, as roupas devem levar em conta diversos aspectos. O P, M e G estão destinados a acabarem, restando medidas diferenciadas de acordo com o tamanho: normal, atlético e obeso, conforme o tipo de corpo.
Dentro da Abravest, quem está cuidando do assunto é o Instituto Brasileiro do Vestuário, entidade criada para elaborar e implantar programas para o setor. Segundo Alexandre, diretor de tecnologia industrial do IBV, o selo é uma prestação de serviço de qualificação.
“Os empresários precisam entender que investir em qualidade não é custo, é melhoria”, ensina.
Para garantir a credibilidade do selo, a Abravest elegeu a Totum, entidade certificadora credenciada pelo Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia, Inmetro, com experiência em autorregulamentação, para atestar o selo. “A independência traz a credibilidade. Nosso único contato foi com o IBV para estabelecermos os parâmetros usados na certificação”, conta Fernando Lopes, da divisão de sustentabilidade.
O primeiro passo para conseguir a avaliação é procurar a Abravest. Depois, a confecção será avaliada diretamente pelo Instituto Totum. Primeiramente, pela sua infraestrutura, inclusive a maneira pela qual contrata os seus funcionários. “O selo garante também que aquela roupa não foi produzida, por exemplo, por trabalho escravo”, afirma Lopes.
Será analisada, também, uma amostra de tecido, que deve vir do fabricante com o laudo. Por fim, será atestado se a etiquetagem mostra corretamente os padrões de medidas. “O instituto fará, ainda, após a certificação, verificações periódicas dos produtos”, completa Fernando. O processo de certificação de uma empresa que esteja com tudo em ordem leva cerca de dois meses.

Etiquetas

Uma das sugestões da norma é, portanto, exigências para a conquista do selo de qualidade Abravest, é a etiqueta com as informações completas sobre o produto, com informações mais detalhadas e composição dos tecidos. As etiquetas para calças, por exemplo, contarão com especificações de “perímetro de cintura”, “comprimento entre pernas” e “estatura” para as quais a peça foi confeccionada. No caso das camisas, as informações compreendem “perímetro de cintura”, “perímetro de tórax”, “comprimento do braço” e “estatura”. Para as roupas femininas as etiquetas vão indicar a “estatura”, “medida ombro a ombro” (no caso dos casacos), “busto”, “cintura”, “quadril” e “comprimento”. As calcinhas e sutiãs serão comercializados em embalagens separadas, pois também trarão as medidas no lugar da numeração tradicional. Dionicir Hoepers, da HI etiquetas, aprova a medida, e já se informou sobre o que está acontecendo, para poder oferecer os novos modelos de etiquetas aos clientes. “As mudanças nos modelos não irão afetar os bolsos dos clientes”, diz.

Produção

Roberto Chadad deixa claro que as mudanças nas medidas só trarão vantagens para as confecções. Além de diminuir problemas na hora da venda final, por exemplo, com trocas (o que gera custo duplo de imposto), a produção também será facilitada, havendo mais agilidade e redução de custo. “As alterações necessárias são mínimas e facilmente assimiláveis pelas empresas. E terão maior competitividade, já que todas as peças serão produzidas dentro de um mesmo padrão, a economia com matérias-primas poderá alcançar um índice de até 8%”, completa Chadad. Mais uma vez, a superintendente da CB 17, Maria Adelina Pereira, pode corroborar a fala de Chadad. Segundo ela, o feedback que se tem em relação às duas normas já em ação é muito positivo. “A aprovação dos produtos é prévia, não posterior, quando já há chances de haver problemas. A norma agiu de maneira preventiva, evitando que clientes tenham desgaste e as confecções também, que não têm problemas com peças devolvidas”, afirma. Ela lembra também a facilidade que as normas trazem no caso de e-commerce. Os consumidores se sentem muito mais seguro ao comprar pela internet, o que amplia as possibilidades de negócios das confecções. “Alguns sites, inclusive, já indicam as medidas do corpo para que a pessoa possa escolher melhor a sua roupa”, diz Maria Adelina.

Fonte: Revista O Confeccionista NOV/DEZ 2011